Resíduo, lixo e rejeito: Qual a diferença?

Publicado em: 13/10/2022

Resíduo, lixo e rejeito: Qual a diferença?

Resíduo, lixo e rejeito são coisas diferentes, mas nem todos sabem o que as diferencia

Para realizar uma gestão de forma eficiente, é essencial que se saiba a diferença entre resíduo, lixo e rejeito. Se preocupar com a forma com a qual administramos o que geramos, não é de hoje e tem crescido a cada dia. Sendo assim, destinar os itens descartados corretamente, tanto em empresas, quanto em residências impacta diretamente no equilíbrio ambiental e é responsabilidade das empresas e da sociedade.

Os três termos citados acima são denominações distintas, e é de suma importância que se entenda a diferença entre cada um deles, para assim, saber qual a melhor forma de de geri-los.

O que é lixo?

A palavra “lixo” se origina do termo em latim que significa “cinza”. Já no dicionário se denomina por “todo e qualquer tipo de objeto que a pessoa descarta porque não precisa usar mais”. De modo geral, são itens que não tem mais valor e não podem ser utilizados.

Segundo a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o lixo é definido como restos de atividades humanas. Ou seja, eles podem ser considerados pelos geradores como: Descartáveis, inúteis ou indesejáveis.

Ainda falando do que se pode considerar lixo, tanto na forma sólida, quanto na líquida, exige o tratamento adequado.

E os resíduos? O que são?

Já ficou claro que o lixo é tudo aquilo que não apresenta utilidade para quem o descarta. Por outro lado, o que não serve para uma pessoa, pode se tornar útil para outra pessoa, tanto como matéria-prima, quanto para outras finalidades ou processos. Esses são considerados os resíduos sólidos.

Dessa forma, resíduo trata-se de tudo aquilo que pode ser reutilizado ou reciclado e, assim, este material deve ser separado por tipo. Com isso, eles serão destinados para outros fins. Eles podem ser encontrados de três formas: Sólida (Resíduos Sólidos), Líquida (trata-se dos efluentes), e Gasosa (gases e vapores).

A Associação Brasileira de Normas Técnicas classifica em sua NBR 10.004/2004, que os resíduos sólidos são “todos aqueles que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções, técnica e economicamente, inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.”

Como as Políticas Nacionais de Resíduos Sólidos (PNRS) Classificam estes resíduos?

I- A origem

  • Resíduos domiciliares: Tem origem de atividades domésticas
  • Resíduos de limpeza urbana: São originais da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas, além de outros serviços resultantes das limpezas urbanas
  • Resíduos sólidos urbanos: Decorrentes de limpeza urbana e resíduos domiciliares
  • Resíduo de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço: São gerados nas atividades citadas. Não estão dentro dessa categoria os de limpeza urbana, saneamento básico, saúde, transporte e construção civil
  • Resíduos de serviços públicos do saneamento básico: São gerados nas devidas atividades com exceção dos sólidos urbanos
  • Industriais: São gerados na linha de produção das indústrias
  • Da área de saúde: Se originam de serviços de saúde, de acordo com regulamentos e normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS
  • Agrossilvopastoris: São gerados dentro da agropecuária e silviculturas, incluem os que estão relacionados aos insumos destas áreas
  • De serviços de transportes: São resultados de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários, além das passagens de fronteiras
  • Resíduos de mineração: São gerados em atividades de extração, beneficiamento de minérios ou até na realização de pesquisas

II- A segunda forma que PNRS classifica os resíduos são através de sua periculosidade.

A)Resíduos perigosos: Estes, de acordo com suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam risco eminente para a saúde pública e também para o meio ambiente, de acordo com a lei, regulamento ou norma técnica.

B) Resíduos não perigosos.

O que é rejeito?

Rejeito é um tipo específico de resíduo. Pode ser considerado rejeito todo aquele que não conta mais com a possibilidade de reaproveitar ou reciclar o resíduo. Ou seja, as únicas soluções possíveis para este tipo são: Aterros sanitários licenciados ambientalmente, ou encaminhá-los para a incineração, que devem ser realizadas de forma que não afete o meio ambiente.

Qual a destinação adequada para resíduo, lixo e rejeito?

Com a evolução tecnológica, tornou-se muito mais simples tratar estes tipos de matéria de diferentes formas. Elas são definidas de acordo com a situação de cada país. Sendo elas:

Compostagem

A compostagem é um tipo de destinação que ocorre através de um processo de decomposição de micróbios. Dessa forma, transforma a matéria orgânica em adubo ou então ração para animais, diminuindo assim, o envio dos resíduos para aterros sanitários.

Co-processamento em fornos de cimento

Essa destinação se dá por meio da queima dos resíduos em fornos de cimento com temperaturas acima de 1.200°C, e a energia é reaproveitada, dessa forma, o material é usado como substituto do combustível. Ou então, podem ser reaproveitados como substitutos da matéria-prima, onde os resíduos eliminados contam com características semelhantes.

A alta temperatura resulta em destruição de quase toda a carga orgânica. No entanto, este método não é permitido para a queimada de organoclorados, resíduos urbanos, radioativos e hospitalares.

Reciclagem

Uma das melhores formas de destinar os seus resíduos é reciclando. Isso porque, ele transforma os resíduos sólidos, alteram suas propriedades físicas, químicas e biológicas e transformam em insumos ou novos produtos.

Essa é considerada uma das melhores maneiras de tratar porque não prejudica a saúde, nem o meio ambiente. E assim, ainda é ecologicamente correta.

Aterros sanitários

Aterros sanitários

Aterros também servem para descarte de resíduo, lixo e rejeito

Há diversos tipos de aterro onde os resíduos devem ser descartados, são eles:

1. Aterro comum ou lixão

Essa é uma maneira de descartar resíduos sólidos de forma inadequada. Isso porque, os resíduos ficam expostos sobre o solo, sem qualquer medida de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública.

Mesmo existindo muitos diversos lixões pelo país, essa não é a forma adequada de tratar os resíduos.

2. Aterro controlado

Este é o aterro comum, no entanto, tem pequenas adaptações. O solo não é protegido contra a decomposição dos resíduos e não há controle dos gases. Eles apenas recobrem os resíduos com material inerte todos os dias. Essa também não é uma maneira correta de fazer o tratamento e a disposição final.

3. Aterro sanitário

Este é o tipo de aterro mais adequado para a disposição final. Isso porque é uma técnica que não causa danos ou riscos ao meio ambiente e também a saúde pública e segurança.

Além disso, é uma situação com bom custo-benefício. Por outro lado, tem um curto período de vida útil e exige grandes extensões de terra.

Além disso, este tipo de aterro recebem resíduos da classe II A e II B (inertes e não inertes). Já os resíduos perigosos são enviados para aterros industriais.